De POLDRA

“POLDRA, s. f. (…); V. Alpondras.

Alpondras, s. f. pl. (corrupção de ponte e pedra, com o art. al arab.) passadeiras, pedras que se atravessam no rio para comodidade da gente de pé; vulgarmente poldras.”

(in Diccionário da Língua Portugueza de Eduardo de Faria. 4ª Edição Refundida, correcta e augmentada em grande número de termos antigos e modernos, por D. José Maria de Almeida Correia de Lacerda – Deão da Sé Patriarcal de Lisboa. Lisboa, 1859)

Sendo termo de uso restrito e mais conhecido por regionalismo que por significado concreto, uma das possíveis leituras de POLDRA é ser pedra. Uma das várias que formem ponte sobre rio ou curso de água. No tempo do simultâneo abandono territorial e do incrementar da ocupação, que é também o nosso (das cidades, de pedra/betão); reconhece-se cada vez mais a necessidade e importância do espaço natural e nativo em que e onde se constrói e – em primeira instância – a partir do qual se incentivou à fundação do assentamento humano. Uma cidade foi, antes de tudo o mais, um território “livre” que desenvolveu nele um ecossistema. Foi seguidamente uma geografia com componente humana; um novo ecossistema a partir do primeiro. E sucessivamente assim, até que um – diverso ou simplesmente distinto – venha e substitua um anterior, seu antecedente.

O projeto POLDRA surge no contexto do programa municipal VISEU CULTURA 2018/2019, de estímulo e apoio a projetos culturais, artísticos e criativos independentes. O financiamento assegurado por este programa municipal, através da linha “Animar”, constitui o pilar indispensável da sustentabilidade da intervenção. Por outro lado, a prioridade conferida neste programa à animação de sítios de valor patrimonial da cidade de Viseu contribuiu para a definição da localização das intervenções artísticas – como, neste caso, a Mata do Fontelo.

O projeto que se apresenta e se efetivará, pretende ser, no tempo das cidades globais, um dos elementos que auxilie a construir pontes. A primeira das quais entre a cidade e a região de Viseu, com suas fundações naturais e possíveis interpretações humanas – recorrendo à linguagem artística. A segunda das pontes, entre as construções históricas e a adição contemporânea, aberta a todos, em particular àqueles que serão os agentes do futuro próximo.

Por fim, enquanto premissa orientadora, ser ponte entre geografias distintas; ser ponte entre Viseu cidade e região, e seu entorno, e outras distantes mas prementes geografias e culturas de cidades amplas, dinâmicas, inteligentes e eco-conscientes. Ser ponte, uma das possíveis pontes. E ser constructo, uma das pedras dessa ligação entre margens.

O POLDRA – Public Sculpture Project Viseu, procura desenvolver propostas contemporâneas de arte pública/arte em espaço público – com particular enfoque para a vertente escultórica – criadas ou adaptadas para espaços selecionados da cidade de Viseu (sendo de raiz, ou tornando-se, site-specific) reinventando-os e reinterpretando-os, promovendo uma interação entre o visitante e os locais de implantação. Nesta dinâmica, a obra será o potenciador de uma relação, que se espera, exista para lá do olhar.

O POLDRA contribui assim para dotar Viseu de uma coleção de arte pública a céu aberto. A cada edição surgirá uma vertente de intervenção temporária de longa duração, desenvolvendo entre 3 e 5 propostas que se mantêm por períodos de cerca de 2 anos, garantindo o cruzamento entre as propostas e execuções de cada ano, com as de edições sequentes, permitindo diálogos entre premissas, motes, olhares e autorias.

Paralelamente, serão promovidos momentos (sob a forma de conferências, colóquios, ou aulas abertas) em torno da temática base e do próprio projeto e seus resultados, contribuindo para uma evolução permanente do POLDRA e consubstanciando em publicações os resultados dessa análise. Cada um destes momentos será tutelado por convidados de relevância no domínio da arte contemporânea e da intervenção em espaço público, que, em Viseu e a partir de Viseu, aceitem partilhar a sua experiência e perspetiva individuais. Pretende-se assim dar a conhecer e estabelecer uma rede de contactos, apoio e aconselhamento relativamente à coleção que se desenvolve. Uma outra faceta deste ponto, será a da disponibilização de chaves de leitura das obras que compõem o projeto e das inerências que condicionam a, e que resultam da, intervenção em espaço público.

Uma outra valência do projeto será eminentemente formativa, A instalação das obras nos locais selecionados, será realizada por uma equipa técnica – dirigida por João Dias – em que, os interessados possam adquirir experiência direta, atuando como assistentes dos artistas, aprendendo e conhecendo os seus métodos de trabalho, numa lógica quase-oficinal de “aprendizes do ofício” durante esse período.

Objetivos

Dotar a cidade de Viseu de uma coleção e um percurso de escultura publica, de alcance Internacional.

Proporcionar contacto direto entre os vários públicos e arte contemporânea pública/em espaço público, de forma integrada e em relação com os espaços de implantação das obras (com suas cargas simbólicas e/ou históricas).

Incentivar à criação individual e ao pensar sobre o agir em espaço público.

Gerar dinâmicas relacionais entre públicos e comunidades distintas (demográfica, social e territorialmente) num espaço âncora – o da cidade de Viseu – que adquira, através do projeto, capacidade de atração.

Criar uma plataforma de diálogo e partilha de conhecimento existente, em torno da arte e da criação contemporânea, ao nível do criador, mas, também, em torno a cada uma das restantes funções/tarefas/etapas necessárias – da conceptualização à execução e leitura posterior – envolvidas e presentes na criação contemporânea.

Conceção

João Dias

Organização

Prominentchance

Produção & Gestão do Projeto

João Dias (Direção Artística e Coordenação Geral)
Rui Macário (Programação e Coordenação de Conteúdos)
Luís Belo (Comunicação e Design)

Equipa Técnica

Pedro Jales
Rúben Marques

Comissão Consultiva

Emília Ferreira
Laura Castro
Stella Ioannou

Parte do programa Viseu Cultura - Linha Animar

Viseu Cultura Barra Assinaturas ANIMAR cor neg

Redes Sociais